Antes mesmo de começarmos este roteiro, já vai a primeira dica que fez toda a diferença na nossa viagem.

Se você gosta de viajar na janela e sonha em ver a Cordilheira dos Andes do alto, escolha seu assento com atenção. No voo São Paulo → Santiago, tente reservar um lugar do lado direito da aeronave. Na volta, no trecho Santiago → São Paulo, prefira o lado esquerdo. Na nossa viagem, foi desses lados que tivemos as vistas mais bonitas da cordilheira. Claro que isso pode variar de acordo com a rota escolhida pela companhia aérea e com as condições climáticas do dia, mas vale a pena tentar.
Santiago costuma ser vista apenas como uma cidade de passagem para quem vai conhecer o Deserto do Atacama ou esquiar nas montanhas chilenas. Nós também pensamos assim no começo.
Mas bastaram alguns dias para percebermos que Santiago merece muito mais do que uma parada rápida.
É uma cidade moderna, organizada, com ótima gastronomia, parques lindos, museus interessantes e, como cenário permanente, a imponente Cordilheira dos Andes.
Se você está planejando conhecer Santiago, quero compartilhar exatamente como organizamos nossa semana por lá, além das dicas que aprendemos durante a viagem e que, sinceramente, gostaríamos de ter conhecido antes de embarcar.
Onde nos hospedamos
Como já sabíamos que os dias no Atacama seriam mais simples, decidimos investir um pouco mais na hospedagem em Santiago.
Escolhemos o Regal Pacific Hotel, e foi uma decisão da qual não nos arrependemos.
O hotel fica praticamente ao lado de uma estação de metrô, o que facilitou muito nossos deslocamentos pela cidade.
O café da manhã merece um destaque especial. Sabe aquele café em que você fica alguns minutos olhando todas as opções antes de decidir o que vai comer? Foi exatamente essa sensação. Havia uma grande variedade de pães, doces, frutas, pratos quentes e opções salgadas, perfeito para começar dias longos de passeio.
Outro diferencial foi a piscina aquecida. É necessário reservar um horário para utilizá-la, o que acaba deixando o ambiente muito tranquilo e agradável para relaxar depois de um dia inteiro caminhando por Santiago.
Dia 1 – Preparativos para a neve
Nosso primeiro dia foi dedicado a um passeio diferente.
Como no dia seguinte iríamos esquiar, aproveitamos para alugar toda a roupa necessária.
Ao redor da Avenida Nueva Providencia existem diversas lojas especializadas nesse tipo de aluguel. Nossa sugestão é visitar algumas antes de decidir. Além dos preços variarem um pouco, encontramos diferenças na qualidade das roupas, disponibilidade de tamanhos e modelos. Quanto mais lojas você visitar, maiores as chances de encontrar exatamente o que procura.
Alugamos casaco, calça, botas, luvas e óculos.
Já os equipamentos de esqui deixamos para retirar na própria estação de ski, através da empresa responsável pelo passeio.
No caminho para estação ela também oferece aluguel de roupas, mas percebemos que havia menos opções disponíveis do que nas lojas da cidade.
Se você puder escolher, faça o aluguel das roupas em Santiago e deixe apenas os equipamentos para a montanha.
Dia 2 – Nosso primeiro dia esquiando
Confesso que esse era um dos dias mais esperados da viagem.
Nunca tínhamos esquiado antes.
Depois de muita pesquisa, escolhemos o Centro de Ski El Colorado.
Também avaliamos outras duas opções bastante conhecidas. A primeira era Farellones, indicada principalmente para famílias com crianças ou para quem quer brincar na neve além do esqui e do snowboard. O parque possui tubing, trenós e outras atividades, mas também costuma ser o mais movimentado. A segunda opção era o Valle Nevado, famoso por sua excelente estrutura e pistas maiores. Acabamos escolhendo El Colorado por oferecer um bom equilíbrio entre estrutura e custo.
Optamos por fazer uma aula coletiva de esqui. Também existe a possibilidade de aprender snowboard.
A aula foi suficiente para entendermos os movimentos básicos, conseguir ficar em pé nos esquis e descer pistas iniciantes. Mas, olhando hoje, eu faria diferente. Se você realmente quer aprender a esquiar, vale muito a pena investir na aula particular. Na aula coletiva, o instrutor precisa dividir a atenção entre várias pessoas, então o aprendizado acaba sendo mais superficial.
Outra dica importante é estar preparado para o esforço físico. As botas são pesadas. Os esquis exigem equilíbrio constante. E você usa músculos que provavelmente nem sabia que existiam. No final do dia estávamos completamente cansados.
Tanto que havíamos reservado outro dia de esqui, desta vez no Valle Nevado. Mas decidimos cancelar.
Depois dos dias intensos no Atacama e do esforço físico do primeiro dia na neve, sentimos que nosso corpo precisava descansar. Foi uma decisão da qual não nos arrependemos.
Viajar também é saber respeitar o próprio ritmo.



Dia 3 – Descobrindo Santiago
Depois de alguns dias acordando cedo e enfrentando bastante atividade física, finalmente resolvemos diminuir o ritmo.
Dormimos um pouco mais e saímos apenas durante a tarde para explorar a cidade. Nosso primeiro destino foi o Cerro San Cristóbal. É possível pegar um funicular na base para subir. Lá do alto, Santiago parece ainda maior. Em dias de céu limpo, a Cordilheira dos Andes cria um cenário impressionante ao redor da cidade. Infelizmente, dependendo da época do ano, a poluição pode reduzir bastante a visibilidade. Mesmo assim, a vista continua valendo a visita. Na descida aproveitamos para conhecer o Jardim Japonês. Foi uma surpresa muito agradável. Além do jardim ser muito bonito, dali também é possível ter uma vista incrível do Sky Costanera, o edifício mais alto da América do Sul.



Encerramos o dia visitando o Museu Nacional de História Natural, localizado dentro do Parque Quinta Normal. Se você gosta de museus de história natural, fósseis e animais, vale reservar algumas horas para essa visita.
Finalizamos o dia em um complexo gastronômico chamado Pátio Vista Bella, onde há muitas opções de restaurantes.
Foi uma maneira tranquila de terminar o dia antes de voltar ao hotel e descansar para o restante da semana.
Dia 4 – História, arquitetura e um pôr do sol inesquecível
Nosso quarto dia começou cedo.
Queríamos assistir à tradicional troca da guarda no Palácio de La Moneda, um dos eventos mais conhecidos de Santiago.
Antes de montar seu roteiro, vale conferir o calendário oficial, já que a cerimônia não acontece todos os dias. Outra dica importante é chegar com antecedência para conseguir um bom lugar. Dependendo da época do ano e do movimento de turistas, a área em frente ao palácio pode ficar bastante cheia.
Depois da cerimônia caminhamos pelo centro histórico da cidade.
Visitamos a Catedral Metropolitana de Santiago, localizada na Plaza de Armas, um daqueles lugares que fazem você parar por alguns minutos apenas para admirar a arquitetura e toda a história presente em cada detalhe. Ali mesmo aproveitamos para fazer uma parada que estava na nossa lista desde o planejamento da viagem.
Fomos conhecer a Emporio La Rosa, considerada uma das sorveterias mais famosas do Chile e frequentemente citada entre as melhores do mundo. Se você estiver passando pela Plaza de Armas, vale muito a pena fazer essa pausa.
Depois seguimos caminhando até o charmoso bairro Paris-Londres. As ruas estreitas, o calçamento e os prédios antigos lembram pequenas cidades europeias e criam um ambiente perfeito para caminhar sem pressa.
Para fechar o dia, escolhemos um dos momentos mais especiais da viagem. Visitamos o Sky Costanera. Nossa sugestão é comprar o ingresso para o meio da tarde.
Assim você consegue acompanhar Santiago durante o dia, observar a cidade sendo iluminada pelo pôr do sol e, pouco depois, assistir às luzes dos prédios tomando conta da paisagem.
Se tivéssemos que escolher apenas um mirante em Santiago, provavelmente seria esse.






Dia 5 – Hard Rock Cafe e Cerro Santa Lucía
Depois de vários dias caminhando bastante, decidimos fazer uma manhã mais tranquila.
Almoçamos no Hard Rock Cafe Santiago, onde experimentamos o menu executivo servido durante o almoço. Além de ter um bom custo-benefício, a comida estava muito saborosa.
Depois seguimos para outro dos cartões-postais da cidade: o Cerro Santa Lucía.
Apesar de ser menor que o Cerro San Cristóbal, ele possui um charme completamente diferente.
As escadarias, os jardins, os pequenos mirantes e a arquitetura fazem parecer que estamos explorando um castelo escondido no meio da cidade. Lá do alto também é possível observar boa parte de Santiago.
Vale reservar um tempo para subir sem pressa e aproveitar cada cantinho.


Dia 6 – Valparaíso e Viña del Mar
Reservamos um tour de dia inteiro para conhecer Valparaíso e Viña del Mar.
As duas cidades ficam próximas uma da outra, mas possuem personalidades completamente diferentes.
No caminho, há uma parada, onde é possível alimentar lhamas.
Nossa primeira parada foi em Valparaíso.
É impossível não perceber como a cidade respira arte. As ruas são tomadas por murais coloridos, grafites e casas construídas sobre as colinas, criando um cenário único.
Durante o passeio tivemos a oportunidade de andar em um dos tradicionais funiculares, que fazem parte da história da cidade. Também fizemos um passeio de barco pela baía, que oferece uma perspectiva completamente diferente da cidade. ainda tivemos a sorte de observar algumas focas descansando nas pedras próximas durante o passeio.
Uma dica importante: quando fomos, tanto o passeio de barco quanto o funicular aceitavam apenas pagamento em dinheiro.
Por isso, vale levar alguns pesos chilenos em espécie para evitar qualquer imprevisto.
Depois seguimos para Viña del Mar.
A cidade possui aquele típico ambiente de cidade litorânea.
Finalizamos o passeio com um almoço delicioso de frente para o mar.









Dia 7 – Templo Bahá’í e uma vinícola diferente de todas as outras
Nosso último dia em Santiago começou em um dos lugares mais tranquilos que visitamos durante toda a viagem.
Pegamos um Uber até o Templo Bahá’í da América do Sul. Como ele fica um pouco afastado da região central, o carro acaba sendo a forma mais prática de chegar. A arquitetura impressiona logo na chegada. Mas o que mais chamou nossa atenção foi a paz do lugar. Mesmo com visitantes, o ambiente convida ao silêncio e à contemplação. Foi uma experiência completamente diferente do restante da viagem. Na volta tivemos um pouco de dificuldade para conseguir outro Uber, então vale ter um pouco de paciência caso isso aconteça com você também.
Do templo seguimos diretamente para a Viña Cousiño Macul. Quando pensamos em vinícolas próximas a Santiago, normalmente lembramos apenas das mais famosas. Mas decidimos conhecer uma vinícola familiar, menor e muito tradicional. Foi uma excelente escolha. Antes mesmo da degustação fizemos um passeio de bicicleta pelos vinhedos.

Percorrer as plantações pedalando deixou a experiência muito mais divertida e diferente das visitas tradicionais. Depois seguimos para o tour guiado e encerramos com a degustação dos vinhos produzidos pela própria vinícola.
Foi uma maneira deliciosa de terminar nossa semana em Santiago.
Compras em Santiago
Uma dica interessante para quem gosta de fazer compras durante as viagens é dar uma olhada nas lojas de calçados esportivos.
Dependendo da época do ano e das promoções, alguns modelos de tênis costumam ter preços bem melhores do que encontramos no Brasil.
Não é uma regra para todas as marcas, mas vale a pena pesquisar antes de voltar para casa.
Vale a pena passar uma semana em Santiago?
Quando começamos a organizar essa viagem, imaginávamos Santiago apenas como uma base para conhecer o Atacama e a neve.
Hoje pensamos completamente diferente. A cidade tem atrações suficientes para ocupar vários dias de roteiro.
Ela consegue reunir natureza, história, boa gastronomia, museus, vinícolas, passeios bate-volta e ainda oferece uma vista incrível da Cordilheira dos Andes praticamente o tempo todo.
Talvez o maior erro de quem visita Santiago seja reservar apenas um ou dois dias.
Se tivéssemos mais tempo, voltaríamos para explorar outros bairros, conhecer novas vinícolas e fazer mais trilhas nas montanhas ao redor da cidade.
No fim da viagem percebemos que Santiago não foi apenas uma escala entre um destino e outro. Ela acabou se tornando um dos lugares que mais nos surpreenderam no Chile.
Às vezes, os destinos que menos criam expectativa acabam se transformando nas lembranças mais especiais da viagem.

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